segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Crítica do espetáculo musical Se Acaso Você Chegasse.



O musical é um gênero que já aportou aqui na Bahia algumas vezes. Peças como Os Cafajestes, Abismo de Rosas e Cabaré da Raça (as três de grande sucesso) já mantinham a tradição da cantoria nos palcos aqui no estado. Portanto, não é experiência nova presenciar um musical nos teatros da cidade, apesar dos grandes musicais do sudeste, muitas vezes versões de espetáculos de fora do país, são os que ganham mais foco na mídia, às vezes da própria mídia baiana.

Esse gênero teatral, que muitas vezes foi exportado para o cinema de forma arrasadora, tem como grande característica a grandiosidade. Números muito bem coreografados, sincronizados, toneladas de equipamentos e cenários gigantescos... para ser considerado bom um espetáculo musical têm que primeiramente ser grandioso. Certo? Não absolutamente. Pois indo totalmente à contra mão dessas “regras” Se Acaso Você Chegasse é um espetáculo sim, mas pequeno, simples, que trata sobre a vida de Elza Soares de forma majestosa e definitivamente humana.

A peça, em cartaz no teatro XVIII no Pelorurinho, não é uma peça de origem. Não mostra a vida de Elza desde quando era criança e também não tem inicio meio e fim muito bem demarcados. É um espetáculo em que o texto da vazão ao espectador imaginar, criar, e ter opiniões diferentes sobre aquilo que vê. Primeiro que não é somente uma atriz que faz a cantora Elza Soares, mas sim várias, quer dizer... Você vai descobrir que até a parte masculina do elenco faz Elza de certa forma... Dessa forma o espetáculo vai além, ele cresce e transcende os palcos, chegando aos olhos do espectador de forma a ele ali no meio do público se identificar coma a vida miserável e glamurosa da diva do samba.

Aos olhos e aos ouvidos, diga-se de passagem, por que Se Acaso Você Chegasse é um musical. E a voz de todo o elenco em números individuais e em grupo está afinadíssima. As canções do repertorio da cantora são postas em todos os momentos de forma avassaladora, às vezes emociona, às vezes faz a gente sorrir, muitas vezes provoca, mas acima de tudo meche com a platéia de forma única. As canções estão de forma certa no lugar certo. E escolhendo um caminho inteiramente simples para chegar ao espectador.

Defeitos? Sim tem! Alguns atores falavam baixo demais no dia que estava, não dava para compreender algumas partes. E olha que estava na frente. Mas o principal ponto é que a peça apesar de simples é gigantesca. Merecia estar em um teatro maior, com cenários maiores. Aquele elenco quase perfeito tratando de uma historia avassaladora como a de Elza em um palco tão pequeno incomoda. Não que o XVIII não tenha estrutura, ele tem (e das boas!!!), é aconchegante, é lindo, mas é pequeno. Tomare que a peça faça sucesso comece a lotar e tenha que ser transferida para um lugar maior... Elza merece um palco do tamanho da sua vida. Gigante!

ps: Vale lembrar que em uma cidade em que os espetaculos teatrias chegam a custar R$ 30,00 ou até mais, ir ao teatro ver uma peça de qualidade por R$ 5,00 é um acontecimento de primeira grandeza. Se Acaso Você Chegasse está em cartaz por este preço. Entre pagar o caro e ver o duvidoso e pagar uma boa quantia e ver algo realmente belo... fique com a segunda opção.

Fonte: http://peliculanegra.blogspot.com/2010_04_01_archive.html

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