quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Tudo começou com Zumbi dos Palmares...



Será que sabemos por que foi escolhido o dia 20 de novembro como o dia da Consciência Negra? Porque esse dia é tão importante para a população negra do Brasil? Bom tudo isso começou a mais de 300 anos atrás, quando o Brasil teve o privilégio de ter em sua história um dos maiores símbolos da resistência negra. Um grande guerreiro, que no período colonial, lutou pela dignidade e liberdade de seu povo, contra a força e a dominação repressora do poderio militar branco. Esse é o grande Zumbi dos Palmares, nome que recebeu por ser um dos líderes do maior e mais resistente quilombo já existente na história do Brasil, o Quilombo dos Palmares, em Pernambuco.

Recém-nascido, Zumbi foi capturado dentro de Palmares, onde nasceu em 1655 , e levado para morar na cidade onde foi batizado de Francisco. Mas em Zumbi, com sua força e coragem , não se acomodou a idéia de ser um escravo urbano e em 1670 fugiu para os mocambos de Palmares. Foi a partir dessa atitude que ele se tornou o espártaco negro do Brasil, um importante chefe militar do Quilombo de Palmares. E com a morte de Ganga-Zumba, o rei de Palmares, Zumbi se torna o novo líder de Palmares.

Novos mocambos se formaram, outros se fortaleceram e assim o Quilombo de Palmares se aperfeiçoou ainda mais tornado-se um território mais coeso e com um sistema de defesa militar muito mais forte. E junto com esse fortalecimento, aumentou também as investidas das tropas brancas escravizadoras sobre Palmares, que lutavam com toda garra e determinação, conseguindo não sofrer nenhuma derrota. Depois de várias tentativas para destruir o quilombo todas as tropas brancas foram desfeitas.

Mas apesar de ter se livrado do ataque, em 1694, comando pelos bandeirantes paulistanos, que tinha a frente o experiente Domingo Jorge Velho, Zumbi em 20 de novembro de 1695, Zumbi - líder do Quilombo dos Palmares- foi morto em uma emboscada na Serra Dois Irmãos, em Pernambuco, após liderar uma resistência que culminou com o início da destruição do quilombo Palmares. Tudo isso aconteceu pela cobiça de um companheiro, que levou as tropas de André Furtado de Mendes ao esconderijo.

Por causa de toda sua representatividade e simbolismo inquestionável para história de luta e resistência do povo negro, é que foi escolhido o dia 20 de novembro como o dia da Consciência Negra no Brasil. Muito bem escolhida não é? Em Salvador a escolha dessa data começou a partir das mobilizações políticas -sociais do Movimento Negro Unificado(MNU) , em sua primeira Assembléia Nacional . Foi neste congresso que o dia da morte de Zumbi foi escolhido com o marco da luta de um povo que ansiava por uma vida mais digna e justa.

Então, comemorar o Dia Nacional da Consciência Negra nessa data é uma forma de homenagear e manter viva em nossa memória essa figura histórica. Não somente a imagem do líder, como também sua importância na luta pela libertação dos escravos, concretizada em 1888. E é por isso que neste dia a cidade mais negra do Brasil sai as ruas com seu cortejo organizado pelo entidade Ilê Aiê, começando do Curuzu, Liberdade, bairro onde se concentra a maior população negra de Salvador, e segue até o Pelourinho. No dia 20 de novembro Salvador mostra, realmente, a sua "cara".

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

A Companhia de Teatro Popular Cirandarte está de volta as ruas

Depois de dois anos fora do circuito artístico cênico, a Companhia de Teatro Popular Cirandarte, volta às ruas apresentando o projeto Em Dose Dupla. A companhia que já tem 10 anos de estrada, apresentará no Cruzeiro São Francisco entre os dias 09 de novembro a 15 de dezembro o espetáculo “Embuchou, Casou!”, nas sextas, e “Retalhos Populares”, aos sábados, ambos às 20h.
A peça “Embuchou, Casou!” narra às peripécias e dificuldades da migração de uma família nordestina para uma grande cidade do sul do Brasil. Tudo em apenas 35min de espetáculo, na qual os atores cantam e dançam, em ritmo nordestino. Já o espetáculo “Retalhos Populares”, vai contar um pouco da formação da população brasileira, com seus diversos personagens. O foco é mais voltado a população nordestina com sua manifestações folclóricas.
Ambos os espetáculo surge de uma produção autônoma da Companhia Cirandarte,que já tem um currículo artístico sedimentado no espaço cênico bahiano. Os espetáculos são todos elaborados para serem apresentados na rua, já que a proposta da companhia é fazer teatro popular de rua, ou seja, levar para o povo a cultura popular. Quem for assistir não terá que pagar nada, pois o espetáculo é de graça. Mas não se esqueçam de irem com o coração aberto para assistir os espetáculos e se puder materialize seus sentimentos com uma contribuição financeira simbólica.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Religião do candomblé ganha mais espaço em Salvador



“Terra de todos os santos”, de “todos os encantos”, a “terra do senhor do Bonfim”, onde, segundo o cantor Gerônimo, “todo mundo é de Oxum”. Essa é a cidade do São Salvador. Terreno onde os orixás fazem suas festas, através da sua união com os humanos, onde os turistas vêm de longe para conhecer uma das maiores representatividade da Bahia: a religião do candomblé.

É através dos terreiros que essa religião se faz presente. São 1.296 terreiros, desses 1.163 funcionando na capital. Os números foram encontrados numa pesquisa feita do Mapeamento dos Terreiros de Candomblé de Salvador, promovido pelas Secretárias Municipais de Habitação e de Reparação (SEMUR), em parceria com a Universidade Federal da Bahia (Ufba).

O estudo mostra que o número de terreiros em funcionamento cresceu 14,2%, em comparação com uma pesquisa realizada em 1983 pelo governo do Estado, quando foram identificados, em atividade na capital, 1.018 terreiros. Mas, segundo Zulu Araújo, presidente da Fundação Palmares, em entrevista dada ao site da Semur, mais de 80% dos terreiros de Candomblé não são registrados como Associação Civil Religiosa, a maioria também ocupa terrenos sem escritura. Ela conta também que só 8,5% dos terreiros são reconhecidos como entidades públicas. Os demais sofrem com a exclusão e não têm direito a ajudas governamentais.

A pesquisa vai ajudar também na adoção de políticas para o fortalecimento institucional e apoio técnico para as comunidades; reforma e manutenção dos terreiros ; programa de saúde da população negra; iluminação pública; regularização fundiária; segurança; entre outras. Pois, uma das principais atividades dos terreiros são com os serviços sociais prestados as comunidades.

O processo de mapeamento dos terreiros, indica que a religião do candomblé, gradativamente, vem sendo mais respeitada e também conseguindo conquistar o seu merecido espaço, em uma terra onde mais de 80% da população é negra. Para, Pedro Virginio, o representante da Federação Baiana de Culto Afro Brasileiro (Fenacab) esse mapeamento é uma forma de “reconhecer os anos que as pessoas de candomblé foram perseguidas e marginalizadas” e segundo ele “o crescimento é natural, pois, antes ninguém queria assumir a religião do candomblé. Hoje essa realidade mudou, as pessoas se sentem livres para colocar em prática sua missão.”


Mas para Maria Conceição Divino, abian do terreiro Ilê Axé Olô T’Ogum, “o aumento desses terreiros é bom, porém, é necessário que se tenha uma fiscalização mais séria do órgão responsável, para saber como anda o funcionamento dos terreiros, como está tratando os seus membros” .


Processo de registro dos terreiros - Antes os terreiros de candomblé para funcionarem eram registrados nas delegacias, “a policia registrava as casas, com os nome e endereço do pai de santo, e depois dava condições para os terreiros atuar”, diz Pedro Virginio da Fenacab.
Isso acontecia porque o candomblé tinha uma visão negativa, era considerada a religião da feitiçaria, a que fazia mal. Atualmente, ou melhor, desde 1946, os terreiros para serem registrados precisam ser cadastrados na Fenacab. Mas antes o processo de registro começa dentro do próprio terreiro, através da autorização do pai ou mãe de santo ( sacerdotes). Ou seja, o processo é espiritual e depois parte para o material. Para isso, segundo Pedro, é necessário 21 anos de obrigações ( trabalhos espirituais dentro do candomblé) e também da autorização do orixá do filho de santo.
Depois disso, esse filho de santo recebe o decá ( certificado). A Federação passou a existir com o objetivo de está fiscalizando esses terreiros e suas atividades e também para poder colocar em prática as atividades de forma regulamentada e dentro da lei.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

A Comida de Nzinga reestréia em Salvador

A Companhia de Theatro Axé do XVIII traz, novamente aos palcos de Salvador, o espetáculo "A Comida de Nzinga", que ficará em cartaz no Teatro do Sesc/Senac - Pelourinho, nos dias 19, 20,26 e 27 deste mês, às 20 h. Ingressos no valor de R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).
Com direção de Rita Assemany, a peça conta um pouco da história da rainha Nzinga de Matamba, que entre os anos de 1624 e 1663 reinou sobre o Ndongo e Matamba, atual região da República de Angola. Nzinga foi uma grande líder, diplomata habilidosa (que sabia falar português e, assim, negociar diretamente com os portugueses). Ela também era uma exímia estrategista militar, que lutou à frente de exércitos angolanos e holandeses - a quem se associou para impedir o avanço dos portugueses em seu reino.

Para contar essa história, Companhia Axé do XVIII sobem aos palcos, com texto de Aninha Franco e Marcos Dias, a assistência de direção de Diogo Lopes Filho, a direção musical e trilha original de Bira Reis, cenografia de Hamilton Alves e figurino de Miguel Carvalho.

A Comida de Nzinga é a terceira produção da Companhia Axé do XVIII, a primeira fixa do Theatro XVIII. Em cena, estão 13 atores, que narram a história dessa grande guerreira africana, Nzinga Mbandi.

SERVIÇO

Onde: Teatro Sesc (Pelourinho)
Quando: 19, 20,26 e 27 de outubro
Horário: 20 h
Preço: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia)
Contato: (71) 3243-7353

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

II Conferência Municipal de Cultura reúne comunidades para discutir melhoria dos bairros


Nos dias 15 e 16 de outubro a Fundação Gregório de Mattos, estará realizando a II Conferencia Municipal de Cultura. O Objetivo do evento é reunir as comunidades para discutir políticas públicas para os bairros de Salvador. A Conferência será aberta às 8h30, no Centro de Cultura da Câmara Municipal e Fundação Pedro Calmon, localizada no final de linha da Praça da Sé.Os temas a serem discutidos são: a cultura que existe no local; as transformações que se deseja implementar; os caminhos e meios de alcançar tais transformações. A intenção segundo a Fundação é contribuir para o crescimento dos bairros periféricos, que estão ausentes de políticas sociais, com fins de valorização e melhoria da comunidade.


Segundo o site da Secretária de Cultura a primeira conferência, realizada ano passado, reuniu 255 líderes culturais e a expectativa é que este número triplique nesta segunda edição. Segundo o presidente da FGM, professor Paulo Costa Lima, além de aprofundar as questões debatidas no primeiro encontro, a II Conferência Municipal de Cultura irá eleger os delegados para a Conferência Estadual, a ser realizada entre os dias 25 e 28 deste mês, em Feira de Santana.


As comunidades que desejarem participar podem entrar em contato com a FGM através do telefone 3322-1486 ou mandar uma mensagem para o e-mail fatimafroes@salvador.ba.gov.br.

Veja a programação da Conferencia no site:

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Jornada Internacional de Cinema Baiano em sua 34º edição


De 12 a 18 de setembro Salvador recebeu pela 34º a Jornada Internacional de Cinema Baiano. As atividades foram realizadas em vários pontos do território soteropolitano, dentre eles o Cinema do Museu, Sala Walter Silveira, Sala Alexandre Robatto, entre outros. Segundo o site da Jornada a Comissão de Seleção avaliou durante sete dias as produções inscritas que disputaram 17 categorias de prêmios, entre eles o prêmio de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Roteiro e também os importantes prêmios em dinheiro como o de Glauber Rocha e Walter da Silveira.
O site informa que mais de 12 países encaminharam suas produções, a exemplo da Espanha, Argentina, Estados Unidos, Venezuela e Chile. Os filmes espanhóis lideraram a lista com quase 100 inscrições. No Brasil, o Rio de Janeiro e São Paulo são os primeiros do ranking. Já a Bahia teve 28 inscritos entre filmes e vídeos. Apesar de muitos estados já participarem do evento há anos, como Pernambuco e Minas Gerais, esta edição trouxe alguns estreantes, a exemplo de Tocantins e Rio Grande do Norte.
Segundo o diretor do evento,Guido Araújo, em entrevista no cineinsite, a Jornada teve pouco investimento financeiro, ou seja, houve uma significativa redução de verbas. Para ele o dinheiro recebido da Petrobrás e do Ministério da Cultura e Governo do Estado, "não deu nem para fazer o coquetel de abertura". Tudo foi muito precário e simples.
Mas evento como esse, com uma história de 30 anos, mesmo com todas as problemáticas, não deixa de ter o seu brilho e vigor. E essas características vêm de pessoas que, há muitos anos, lutaram para edificar a proposta da Jornada.
Segundo o artigo científico Jornada Internacional de Cinema da Bahia: espaço de reflexão e resistência (1972-1975), de Izabel de Fátima Cruz Melo, a I Jornada Baiana de Curta Metragem surgiu em janeiro de 1972, em pleno governo Médici e vigência do AI-5. O objetivo primordial da Jornada era discutir e criar diretrizes para o desenvolvimento do cinema baiano, especialmente de curta-metragem, por isto era uma jornada baiana, com somente 6 filmes inscritos, mas que já contou com os simpósios e seminários de discussão.

Devido a boa aceitação pelos cineastas, realizadores e cineclubistas, a II Jornada de Cinema, passa a ser a II Jornada Nordestina de Curta Metragem, que com o intermédio de Roland Schaffner foi abrigada no ICBA -Instituo Cultural Brasil/Alemanha - também conhecido como Instituto Goethe. Na II Jornada, realizada em setembro de 1973, admitiu-se a participação de cineastas de todas as regiões do país, desde que os temas dos filmes fossem nordestinos. A III Jornada, que passa a ser brasileira, oficializa o caráter nacional do evento, que mesmo sendo nordestino, já contava com a participação de cineastas de diversos estados. A IV Jornada continuou a ser brasileira, mas trouxe mudanças significativas na sua organização, devido ao seu crescimento. Por isso, este evento passou a ser realizado em duas etapas.
Hoje a Jornada Baiana, que tem um público fiel, em sua 34º edição, vive em função de não deixar o cinema brasileiro desaparecer. Fortalecendo a cada evento a cultura cinematográfica das regiões brasileiras. Fica claro então, que a Jornada tem o papel de difusor da cultura e também é um meio de exposição das experiências e criatividades humanas.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

SERTÕES NA BAHIA


Nos dias 05, 06, 07, 08 e 09 de setembro Salvador recebeu no Museu do Ritmo, antigo Mercado do Ouro, no Comercio, o espetáculo “Os Sertões”, dirigida por Zé Celso Martinez, diretor do grupo Oficina, do Teatro Oficina de São Paulo. A peça é uma montagem baseada no livro de Euclides da Cunha. Segundo o site da Secretaria da Cultura, o espetáculo teve 70 profissionais envolvidos, entre eles 47 atores (adultos e criança). Os Sertões acontece em cinco episódios:1°) A Terra, que conta sobre a parte geográfica e física do sertão brasileiro; 2º) O Homem 1, que conta a formação do homem brasileiro até chegar à descrição do sertanejo; 3º) Homem 2, narra a transformação de Antônio Maciel em Antônio Conselheiro, 4º) Luta 1, relata a primeira expedição que foram para atacar Canudos e 5º) Luta 2, que é o desfecho com cenas dos primeiros capítulos do livro projetadas em telões, captadas por câmeras, que transpõem para o palco a obra literária completa de Euclides da Cunha. O total foram 26 horas de espetáculo, cada dia com em média, de 5 a 6 horas de duração.
No segundo dia ( 06 de setembro), que começou as 8h e terminou 1h da manhã, contou a construção, ou melhor, o surgimento do homem brasileiro. O inicio do espetáculo foi com uma ciranda feita pelos atores com o público. O que permitiu uma interatividade entre o espectador e os intérpretes, fazendo com que a platéia se sentisse parte do espetáculo. A peça, para quem não tem o hábito de ir ao teatro, chocou pelo o excesso de nudez que teve do inicio ao fim do espetáculo. Mas o nu não era simplesmente um nu, mas sim com sentido de resgatar as características dos seres que fizeram parte da construção do povo brasileiro (índio e o negro). Teve vários momentos no corpo da peca de interatividade, o que não permitia que o público ficasse exausto.
A todo decorrer do espetáculo o que pode ser notado é a presença explícita das manifestações dionisíacas. A todo o momento o culto, as festas, celebrações, orgias, que antes era associada ao Deus Dionísio, eram representados na peça. Por isso, quem foi assistir, também teve o privilegio de fazer parte desse bacanal da alegria. Tudo, mas tudo mesmo sem pudores e nem preconceitos, liberdade total.